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Campo Projectivo:
Projecto de Pesquisa Experimental sobre a
Experiência Fora do Corpo

A Experiência Fora do Corpo (aqui referida como “EFC” ou pelo termo técnico “projecção consciente”) tem, ao longo dos tempos, atraído a atenção dos pesquisadores que procuraram a comprovação da sua existência por meios empíricos - um grande número de experiências foram conduzidas no passado, utilizando diversos métodos empíricos (Vieira, 1999, pp. 944-979).

Caso estas pesquisas tivessem sido aplicadas a um outro tipo de fenómenos, os resultados poderiam já ter comprovado a sua existência e propriedades; no entanto, devido à natureza da EFC, a recolha de evidências objectivas e físicas não é fácil, pelo que conseguir atingir os critérios exigidos pela comunidade positivista da ciência convencional mantém-se impraticável.

O carácter subjectivo da maioria das EFC, faz da experimentação pessoal o método apropriado para a validação do fenómeno. Uma analogia ilustrativa está relacionada com a validação da metodologia utilizada no estudo dos sonhos - estes são experiências de carácter ainda mais subjectivo do que as EFC, sem qualquer elemento de objectividade.

A única indicação da existência dos sonhos é indirecta e é dada pelos gráficos do electroencefalograma e pelos movimentos oculares rápidos (MOR) observados durante o sono - no entanto a pesquisa dos sonhos ainda requer a correlação com o relato do sonho, não sendo possível obter uma verificação objectiva sobre o seu conteúdo específico. A comprovação da existência dos sonhos, segundo os critérios da ciência convencional, requereria a existência de um aparelho capaz de gravar os sonhos, colocando o seu conteúdo à disposição de observadores imparciais, permitindo assim a verificação do relato da experiência da pessoa que sonha.

No entanto, o facto de todos nós (ou a maioria) vivermos e recordarmos os sonhos, permite ter a certeza sobre a existência do sonho como fenómeno. Assim sendo, os pesquisadores não se esforçam por provar a existência dos sonhos, mas sim em ampliar a compreensão dos mesmos. Portanto, pode-se afirmar que, no caso de pesquisas de fenómenos subjectivos, a experiência pessoal tem um papel vital.

Embora os resultados desta experiência possam contribuir para aumentar as evidências da veracidade da EFC, a prioridade deste projecto não está orientada nesse sentido. Vai um pouco além da investigação do fenómeno e a orientação da pesquisa vai no sentido de entender como a ‘mente’ percebe, interpreta e recorda a informação obtida através das EFC.

A abordagem da EFC nesta pesquisa baseia-se no pressuposto de que todos os indivíduos (consciências) possuem a capacidade efectiva de sair do corpo e poder agir numa dimensão extrafísica; parte-se do princípio de que a EFC é um fenómeno objectivo. Como tal, a consciência é considerada um sinónimo de individualidade, em vez de somente um atributo do cérebro físico, deste modo sobrevivendo à morte física (conhecido em parapsicologia como fenómeno Theta).

Todo o conhecimento que temos acumulado sobre a forma como os nossos cinco sentidos percebem, identificam e compreendem a informação recebida, pode ajudar o público e a ciência a entender melhor o processo de aquisição de informação.

De forma semelhante, a pesquisa conscienciológica e científica sobre os fenómenos “não-físicos” beneficiaria muito da compreensão mais profunda, da forma como o para-cérebro percepciona a realidade extrafísica e de como esta informação é transmitida e incorporada no cérebro físico.

Outras questões relevantes, tais como: (1) Existem características pessoais que interferem neste processo?; (2) As condições ambientais afectam a transferência de informação para o cérebro?, também são aspectos cuja melhor compreensão seria útil.

A experiência foi desenhada para tentar definir os detalhes sobre a forma como um projector percepciona o mundo físico a partir de uma perspectiva não física (ao ver uma imagem física enquanto se encontra projectado), e como organiza o quadro de referência das ideias e crenças, a fim de compreender e descrever a realidade percebida.

O plano geral da pesquisa consiste em monitorar os relatos individuais das tentativas para alcançar um alvo longínquo e pré-estabelecido durante a EFC, e mais tarde analisar a exactidão das descrições. A experiência inclui o ensino de várias técnicas de EFC aos participantes que irão tentar “voar” a uma sala fechada, onde se encontra um computador que selecciona, de forma aleatória, uma imagem desconhecida e a mantém no monitor.

Os objectivos principais deste projecto da pesquisa são:

1. Começar a recolha sistemática de dados relacionados com o processo de aquisição de informação visual na dimensão extrafísica.
2. Identificar a variedade e características das imagens que são mais perceptíveis para a consciência projectada;
3. Compreender os factores que influenciam a interpretação da imagem percebida;
4. Procurar elementos que ajudem a entender os mecanismos envolvidos na ‘tradução’ da percepção extrafísica para a linguagem intrafísica, procurando indicadores sobre o método de rememoração utilizado pelo cérebro físico na recuperação de informação armazenada no para-cérebro;
5. Recolher dados relacionados com a forma como os indivíduos estruturam as suas experiências e com o grau em que os seus pontos de referência mentais e culturais interferem ou influenciam a interpretação da imagem percebida;
6. Verificar como e em que grau as idiossincrasias do meio, culturais, físicas, mentais e emocionais interferem na capacidade do indivíduo de produzir EFC e de as recordar;
7. Determinar se alguma ou algumas técnicas projectivas específicas melhoram a acuidade extrafísica;
8. Acumular elementos que facilitem a análise da lucidez extrafísica e da rememoração intrafísica;
9. Expandir o conhecimento acerca da cognição extrafísica e a sua interpretação, a fim de identificar meios para apoiar (1) a investigação conscienciológica sobre para-cognição e (2) a criação de novas estratégias pedagógicas para os professores de Conscienciologia ensinarem as técnicas para produzir EFC através da vontade.


A gradual e contínua acumulação de dados através de um número de experiências desejável para chegar a resultados conclusivos vai facilitar a conclusão da pesquisa e dos seus objectivos, assim como a sua avaliação teórica e a análise estatística e qualitativa.

O conjunto de documentos utilizados para recolher e registar dados durante a experiência inclui:

1. Autorização dos Participantes - uma declaração assinada pelos participantes dando o seu consentimento para as experiências serem incluídas nesta pesquisa.

2. Questionário: Informação Geral Sobre o Participante - um questionário, a ser preenchido por cada um, para recolha de dados pessoais e informações sobre os participantes, tais como idade, sexo, formação, saúde, EFC prévias, etc.

3. Questionário: Resultados e Avaliação da Experiência - um questionário para ser preenchido no final de cada sessão projectiva, contendo a descrição pessoal e detalhada do ocorrido, as percepções e sensações experimentadas pelo participante durante essa sessão.

4. Registo das Condições Ambientais - anotações que registam as condições físicas da Área de Experiências durante cada sessão (temperatura, humidade, posição dos corpos dos participantes em relação aos pontos cardeais, calendário lunar, condições meteorológicas e alguma ocorrência especial).

5. Certificado de Autenticidade do Programa de Computador - um documento atestando a autenticidade do programa informático utilizado (para assegurar que o programa - transcrito abaixo - é o mesmo utilizado em cada uma das sessões projectivas) - assinado pelo auditor e por um dos pesquisadores para cada sessão.

6. Declaração de Confiabilidade e Neutralidade - um documento, assinado pelo auditor e por um dos pesquisadores no final de cada sessão projectiva, descrevendo, com suficiente detalhe, a imagem mostrada no monitor do computador durante a sessão anterior e confirmando que (1) a sala onde estava a Imagem Alvo permaneceu sempre fechada durante a experiência, (2) que ninguém pôde fisicamente ver a imagem, (3) que o auditor permaneceu sentado no exterior e junto da porta fechada à chave durante a totalidade da duração da experiência e (4) que a imagem não apareceu no monitor do computador antes que o pesquisador e o auditor deixassem a sala e a fechassem à chave.

7. Declaração de Não Recebimento de Sugestões - um documento assinado pelos participantes, no final de cada curso, declarando formalmente que não foram informados, de forma alguma, sobre a natureza, tipo, ou descrição das imagens do banco de dados armazenado no computador e utilizadas durante as experiências.

 

Revisão futura da Metodologia:
Os pontos seguintes especificam as propostas em curso para o desenvolvimento da metodologia existente, que seria interessante incorporar em futuros eventos.


1. Uma das alterações que eventualmente se efectuará nesta experiência, será a inserção de uma forma de detecção objectiva da presença de consciências projectadas na sala onde se encontra a Imagem Alvo. O uso de algum tipo de instrumento ou sensor electrónico para detectar a presença do projector não é o ideal, uma vez que actualmente ainda não existe tecnologia conhecida e disponível para garantir a detecção de uma presença não-física (Alegretti, 1990); no entanto, trata-se da opção ‘menos má’, pelo que vai ser incluída uma câmara de infravermelhos nas experiências futuras.
2. Em relação ao uso de objectos tridimensionais reais, um método que permitiria a substituição do uso de imagens de computador salvaguardando ao mesmo tempo a impossibilidade de interferências telepáticas, seria a construção de um robot capaz de seleccionar um objecto alvo ao acaso, de dentro de uma caixa ou estante que contenha um certo número de objectos pré-seleccionados, e depositá-lo num lugar pré-determinado. Tal método, no entanto, iria impor a redução da quantidade e natureza dos possíveis alvos.
3. Depois de toda a série de experiências ser dada por terminada e antes das conclusões finais, os pesquisadores tencionam convidar juizes independentes para examinar as diversas descrições das imagens, com o intuito de obter a sua opinião e análise sobre as percepções dos participantes.
4. Aumentar o número de sessões, aumentando a duração da experiência de 3 para 7 dias.

 

Pesquisadores responsáveis: Nanci Trivellato e Wagner Alegretti
Nota: A descrição completa da metodologia e plano de pesquisa relacionados com este projecto, assim como uma discussão completa e resultados preliminares, estão disponíveis no “Proceedings of the 3rd International Congress of Projectiology and Conscientiology”